Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Peruanos vão para fronteira investigar índios em isolamento

Uma comissão de especialistas do Governo peruano viajará para o estado de Ucayali, na fronteira com o Brasil, para investigar as denúncias de entidades brasileiras sobre o suposto deslocamento de índios por causa do desmatamento na região.

O diretor da Direção Geral de Povos Nativos e Afro-Peruanos, Ronald Ibarra, disse a dois jornais de Lima que uma comissão de antropólogos e intérpretes visitará o local para levantar informações e determinar se o desmatamento ilegal está realmente gerando um deslocamento destas comunidades.

Ibarra afirmou que a delegação oficial, que é ligada ao ministério da Mulher e Desenvolvimento Social, chegará até a comunidade de Puerto de Paz, na região do Alto Purus, onde existem índios acostumados ao contato com a civilização.

Segundo ele, se tomará cuidado para que não seja feito um contato direto com os índios em isolamento, já que a transmissão de uma doença poderia dizimar sua população.

Na última quinta-feira, a Fundação Nacional do Índio (Funai) denunciou que tribos de índios que vivem completamente isoladas na floresta amazônica na fronteira com o Peru estão buscando refúgio no lado brasileiro.

Segundo o coordenador da Frente de Proteção da Funai em Envira (Acre), José Carlos Meireles, as comunidades estão em perigo por causa da exploração de madeira no Peru. Esta semana, a Funai e a organização Survival International divulgaram fotos, tiradas de um helicóptero, destas comunidades que vivem no Acre.

"Decidimos divulgar as fotos para ver se acontece alguma coisa e se consegue-se pressionar o Governo", declarou Meireles. Para a antropóloga Tatiana Valencia, do DGPO, a hipótese mais provável é que se trataria de grupos Mashco Piro ou Murunahua, que estão na fronteira entre Brasil e Peru desde tempos pré-hispânicos e que hoje estão ameaçados pelo desmatamento ilegal.

"Nem os Incas puderam ter contato com eles, em parte pela geografia do local onde viveram todo este tempo", declarou Valencia ao jornal local "El Comercio".

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Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Acre - Cruzeiro do Sul: Biodiversidade (continuação)

O efeito dos roçados e caminhos abertos nos seringais é similar ao da morte sazonal de bambuzais ou da devastação provocada por grandes tempestades, fenômenos que abrem clareiras nas matas e criam novos refúgios para a vida. Acredita-se que os povos indígenas tenham desencadeado o mesmo fenômeno em outras partes da Amazônia antes da chegada dos portugueses. “As antigas populações devem ter alterado pelo menos 10% da composição atual da mata”, avalia o pesquisador William Balée, da Universidade Tulane, em Nova Orleans, nos Estados Unidos, cujo objeto de estudo é o impacto da ocupação humana na natureza. É óbvio que se está falando de áreas com baixos níveis de concentração populacional. Quando ela é grande, a presença do homem é sempre um desastre para a biodiversidade. Estima-se que o crescimento desenfreado da ocupação humana tenha provocado a extinção de até 20% de alguns grupos de animais.
A paisagem atípica da região do Alto Juruá também conta na hora de separá-la do que normalmente se conhece como Amazônia. Cachoeiras, capoeiras e montanhas de 600 metros de altitude espalham-se por um território que equivale a nove vezes o tamanho da cidade de São Paulo, localizado junto à Serra do Divisor, próximo às franjas da Cordilheira dos Andes, na fronteira com o Peru. O clima é mais úmido e mais frio do que na maior parte da floresta brasileira. Em junho e julho, a temperatura chega a apenas 7 graus. Um assombro em se tratando de uma região que fica a apenas 1.000 quilômetros da linha do Equador. No Rio Moa, um afluente do Juruá, há cenários espetaculares, como escarpas que formam cânions com paredões de 150 metros. No fundo desses vales surgem bromélias e orquídeas em número nunca visto no restante da Amazônia brasileira. Para completar, nas regiões mais altas existem florestas anãs, com mata baixa, nas quais o chão chega a ter camadas de 50 centímetros de raízes finas e musgo. Além de animais considerandos vulneráveis ou ameaçados de extinção, como a preguiça-real, o tamanduá-bandeira, a lontra e o tatu-canastra, há por lá peculiaridades como uma mariposa de 30 centímetros, considerada a maior do mundo, e um morcego com envergadura de 1 metro, o maior das Américas. Os especialistas acreditam que existia ali muito que descobrir. “Nosso conhecimento da floresta ainda é bastante precário”, avalia Peter Toledo, diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém.
O estudo da biodiversidade na Amazônia ainda engatinha. Mesmo no caso das aves, os animais mais estudados, só se conhecem bem aquelas que vivem nas áreas em que existem postos de observação, o que corresponde a apenas 20% do território da floresta. A ignorância aumenta conforme o tamanho dos bichos diminui. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) conta com um acervo de 5 milhões de amostras de formigas. Desse total apenas 500 foram estudadas. Quando o assunto são os microrganismos, a obscuridade é maior. E não se trata de pouco-caso dos cientistas – mas das dificuldades inerentes à impressionante diversidade de seres vivos. Nunca se descobriram tantas espécies como atualmente. No ano passado, em todo o mundo, foram catalogadas 8.000 espécies que eram completamente desconhecidas. É um volume tal que num único dia chega-se a registrar 300 tipos de plantas, animais e microrganismos. Um novo mamífero é encontrado a cada três anos. É uma atividade febril que lembra a dos exploradores dos séculos XVIII e XIX, quando a maior parte do mundo animal ainda estava por ser descoberta. A área de estudo também tem aumentado nos últimos anos, pois os limites da biosfera, a faixa do globo onde se considera possível a existência de vida, estão sendo reavaliados e ampliados. Pesquisas recentes detectaram comunidades de micróbios em rochas enterradas a 2.000 metros de profundidade. Calcula-se que existam no planeta entre 10 milhões e 30 milhões de espécies de seres vivos, das quais conhecemos apenas 1,75 milhão. Mesmo descobrindo pequenos édens ecológicos como a região do Alto Juruá, a empreitada que biólogos e zoólogos têm pela frente continua gigantesca.

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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Acre - Cruzeiro do Sul: Biodiversidade

Uma velha coleção de borboletas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, intrigava os observadores havia décadas. Reunida por naturalistas que viajaram pela região do Rio Juruá, no Acre, no início do século XX, chamava a atenção pela variedade e por incluir insetos que existiam em vários pontos da Amazônia. Muitos especialistas até duvidaram de sua legitimidade. Um estudo recém-concluído por pesquisadores de cinco universidades brasileiras acaba de provar que não há nada de errado com a coleção de borboletas. Ela não só é autêntica como reflete apenas uma ínfima parte da opulência natural que cerca esse trecho do Juruá. O levantamento, que será publicado no segundo semestre na forma de uma enciclopédia natural, mostra que lá está a região de maior biodiversidade da Amazônia, provavelmente do planeta. Ou seja, lá está a maior concentração de espécies numa mesma área. Ela supera com folga outras regiões de Floresta Amazônica, como Cacaulândia, em Rondônia, Pakitza e Tambopata, no Peru, tidas até agora como campeãs em variedades de seres vivos na Amazônia, que é, por sua vez, a maior extensão de mata para a sobrevivência de espécies animais e vegetais do planeta. No Juruá, foram contadas 616 espécies de aves, pelo menos seis delas raras e outras duas completamente novas para a ciência. Nas outras áreas são pouco mais de 550. Em se tratando de borboletas, os cientistas já registraram 1.620 tipos, mas há indícios de que o número poderá chegar a 2.000. Há ainda cinqüenta espécies de répteis, 300 de aranhas, 140 de sapos e 64 variedades de abelhas.
A explicação dos pesquisadores para tamanho volume de vida é surpreendente. Ao contrário das demais regiões estudadas na Amazônia, todas elas paraísos intocados com acesso restrito, os arredores do alto curso do Rio Juruá são habitados. Ocupada desde o século XIX por caboclos que vivem dos seringais, a região tem aproximadamente 8.000 moradores isolados em pequenos vilarejos no meio da mata. Esse seria um dos motivos de tamanha variedade. Os cientistas acreditam que reviravoltas ambientais e climáticas são fatores determinantes para a riqueza biológica. Isso porque elas rompem a hegemonia de espécies mais fortes, dando espaço para que outras formas de vida prosperem. No Alto Juruá, as pequenas alterações na natureza causadas pelo homem também fazem o papel de pequenas catástrofes naturais. “A presença humana no Alto Juruá acaba tendo um efeito parecido com o de enchentes e tempestades”, diz a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, professora da Universidade de Chicago e uma das coordenadoras do inventário da região.

Fonte: Prefeitura Municipal

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Acre - Hotéis: João Paulo Hotel


Endereço: AV. CEARA 2.090
Bairro: CENTRO
Cidade/UF: RIO BRANCO / AC

O hotel conta com total infra- estrutura para receber você e sua excursão. Você tem à sua disposição: cinema, restaurante, locadora de carros, cyber-café, auditório para 100 pessoas.

O Hotel João Paulo está localizado na parte central de Rio Branco - AC, próximo a bancos, teatros, cinemas, órgãos governamentais, museus, restaurantes, shoppings e praças municipais, tour, serviço de translado com segurança e conforto.

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